Saiba porque o preço dos alimentos segue pressionado



A inflação apresenta uma tendência ascendente desde o mês de junho de 2020 e o grupo alimentos e bebidas representou mais de 1/5 da inflação de janeiro que registrou aumento de 0,25% nos preços em relação a dezembro de 2020. O segmento alimentício apresentou aumento de preço de 1,02% no mês, impulsionado pelos alimentos em domicilio - os quais contemplam elevada participação na cesta de consumo dos indivíduos - , sendo os itens que mais impactaram no preço as carnes, "pela forte demanda de importação global, enquanto surtos de gripe aviária restringiram as exportações de aves de vários países europeus”, de acordo com a FAO, seguido de leite e derivados. Apesar de carnes e laticínios pesarem mais na cesta, as maiores subidas de um mês para o outro ficaram por conta dos tubérculos, raízes e legumes e pescados.


A sustentação dos preços tem relação com a concessão de auxílios emergenciais, os aumentos do preço das commodities e a desvalorização cambial. Com o dólar mais alto, o produtor prefere vender para o mercado externo do que fornecer para o mercado local, pois como a mercadoria é vendida em moeda estrangeira, o produtor é melhor remunerado. Somado a isso, de acordo com a Conab, a área de cultivo de arroz e feijão sofreu redução em detrimento do plantio de soja para o mercado externo. Com isso a oferta interna diminuiu e o preço subiu com a demanda elevada. Assim, esse preço elevado, sem a devida compensação na renda do trabalhador, aponta para uma menor capacidade de consumo, isto é, empobrecimento da população.


No mundo também acontecido alta no preço dos alimentos. O índice de preços dos alimentos da FAO subiu 4,3% em janeiro na comparação com o mês anterior, sendo a oitava alta consecutiva. A principal justificativa está na preocupação com a segurança alimentar que levou alguns dos grandes produtores e exportadores de grãos, como a Argentina e a Rússia, a limitar as vendas externas nos últimos meses. Além disso, em paralelo, a forte demanda chinesa por milho também contribuiu para o aumento do preço dos cereais, disse a FAO. O preço do óleo vegetal subiu 5,8% em janeiro, porque a produção foi impactada em algumas regiões no mundo (na Indonésia e na Malas), em virtude do excesso de chuvas, enquanto as greves na Argentina reduziram o fornecimento global de óleo de soja.


Esse contexto todo fez com que os consumidores brasileiros acreditem que a inflação oficial do país ficará em 5,3% nos próximos 12 meses, segundo uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas, acima do centro da meta de inflação estabelecida pelo Banco Central do Brasil, de 3,75% ao ano, e da expectativa do mercado que está em 3,82% ao ano.


Informações: IBGE, Nexo, Agência Brasil e Isto é Dinheiro.


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