Piauienses são os menos endividados do Brasil depois de SC, aponta pesquisa


           Como resultado da desaceleração do consumo nos últimos anos, haja vista recente saída da mais severa crise econômica vivida no país, a Pesquisa sobre Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) indicou que os piauienses foram muito resilientes em 2019, e o endividamento atingiu menos da metade das famílias (49,8%) em dezembro do ano encerrado, enquanto o total nacional contabilizou 65,5% no mesmo período. Em termos de gênero, as mulheres devem mais do que os homens no estado. De acordo as informações do Serasa Experian, elas correspondem a 52,2% das pessoas endividadas. A estatística analisa todos os compromissos de cartão de crédito, cheque especial e pré-datado, crédito consignado e pessoal, carnê de loja, prestação de carro e imóvel.

          Esse resultado concorda com o perfil da atividade econômica do estado, altamente concentrada na oferta de serviços, 78,5%, cuja administração pública, seguridade social e o comércio respondem por cerca de 47,8% do total (Seplan, 2017 – último dado disponível). Isso significa que a desaceleração do fluxo do comércio e de despesas do governo reduz – no caso piauiense – a circulação da economia como um todo, pois menos serviços são contratados, mais pessoas são impactadas pela falta de oferta laboral, menos dinheiro elas gastam, menos recursos o empresariado e o governo captam, e o círculo de queda recomeça.

           Para contornar isso e incentivar o acesso ao crédito, assistimos nos últimos meses sucessivas reduções na taxa básica de juros da economia (que está em 4,25% anual hoje), alcançando mínimas históricas, visando diminuir o custo do empréstimo tanto para o empresariado que vai investir em novos negócios ou ampliação dos já existentes, quanto para a população que ainda não voltou a consumir e, portanto, ainda se mostra receosa em relação à economia.

        Individualmente também é necessário agir. É preciso se conscientizar que a administração financeira pessoal demanda planejamento e, principalmente, respeitar aquilo que foi planejado. Demanda autoconhecimento para estabelecer objetivos e pensar soluções financeiras para sair de situações difíceis – como é o caso do endividamento. Cortar hábitos consumistas, nocivos ao bom andamento da vida financeira, também é fundamental, assim como, cultivar rotinas de registro de entrada e saída de dinheiro. Para sair dessa estatística, é válido lembrar algumas dicas para zerar/reduzir as dívidas: dividir moradia, adequar o seu padrão de vida ao seu bolso, ajustar o círculo de amizades e cancelar as folgas para fazer renda extra podem trazer resultados surpreendentes para aqueles que precisam retomar o equilíbrio das finanças.

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