O que vem a ser este “novo normal”?

A expressão está sendo amplamente usada para traduzir as possíveis adaptações e ajustes cotidianos no pós-pandemia


O “novo normal” assusta você ou ele já está incorporado a sua rotina? Para mim, ele representa um ponto de inflexão nos hábitos. Aquilo que antes era inofensivo, como cumprimentar com beijos dos dois lados um desconhecido ou compartilhar espaços muito apertados em pubs e casas noturnas, talvez fique mesmo para trás. E o que isso tem a ver com a economia? Muito. Na verdade, nossos costumes, convenções e práticas são o que norteia a atividade. Pensando no contexto da crise que estamos vivenciando, enquanto empresas voltadas para o entretenimento de aglomerações, como produtoras de shows e bares, por exemplo, ou o setor de turismo, sofreram com o baque ocasionado pela suspensão das suas atividades, houve segmento que se beneficiou muito com a situação, como a indústria de games e consoles e os serviços de streaming (ex. Netflix e Amazon Prime).


Com a retomada da atividade (ou tentativa de), os cenários para futuro voltam a ser destaque entre os investidores e isso já foi percebido pela bolsa de valores que subiu intensamente no último mês (+4,75% na comparação com 9 de jun.). Além disso, contribuiu para a expectativa positiva para o mercado o resgate do tema reformas do setor público, de maneira a construir um ambiente de negócios mais favorável no país.


Este otimismo do mercado financeiro, que tende a se antecipar aos movimentos da economia, tem levado mais brasileiros a repensar a sua relação com dinheiro, tanto no sentido de poupar mais (seja pelo medo do futuro quanto pelo despertar para o investimento), quanto no sentido de fazer escolhas mais eficientes para o próprio dinheiro. Em junho, chegamos a mais de 2,6 milhões de brasileiros investindo na bolsa de valores e cerca de 7 milhões de cadastros no Tesouro Direto (maio/2020), assim como recordes na captação da poupança. Isto certamente é resultante da mudança do entendimento sobre finanças pessoais, que vem aos poucos ganhando espaço nas rodas de conversas entre amigos e cada vez mais profissionais se aprofundando nos estudos e espalhando bons conhecimentos.


Assim, será se esse “novo normal” também incluirá a preocupação com a educação financeira? Será se os hábitos de consumo também serão redirecionados para aquisição de ativos? Será se ficou clara a lição sobre a importância da organização e planejamento financeiro? Será se foi suficiente que 8,6 milhões de pessoas perdessem suas ocupações (entre dezembro/2019 e maio/2020) e ficarem com seus recursos comprometidos para que as pessoas entendam que é preciso construir uma reserva de paz? A melhor administração do dinheiro não tem nada a ver com você ser rico ou pobre. Tem a ver com tomar decisões mais acertadas e adequadas, concordantes com os seus objetivos de vida e com os valores indissociáveis que permeiam suas escolhas.


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Elinne Val é economista/UnB, pesquisadora e mestranda em Economia/Unifal-MG e planejadora financeira da Finaplus – consultoria e assessoria.

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