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O Cartão de Crédito não pode ser o vilão das dívidas. O desemprego é



O vilão do seu endividamento é o motivo pelo qual você se endivida. No caso dos brasileiros é a falta de oportunidade de trabalho. O cartão de crédito, o carnê da loja, o empréstimo consignado, entre outros, nada mais são do que os instrumentos que a sociedade pode utilizar para acessar dinheiro de outro.


Vale dizer que estamos no nível mais alto de endividamento já registrado - desde 2010 - pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), responsável pela publicação da PEIC: Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor. Segundo ela, 79,3% das famílias brasileiras possuem algum tipo de dívida e, entre aquelas que recebem até 10 salários mínimos, este número superou 80% na última avaliação.


Mas, muito mais importante do que saber o instrumento que o brasileiro utiliza para capturar o crédito, é preciso entender o motivo e se de fato isto representa um problema. Por exemplo, eu concentro todas as minhas compras no cartão de crédito. Isto significa que, ao longo do mês, eu consumo o crédito que o meu banco me fornece e "acerto" quando a fatura chega. Mas isto não deixa de ser uma dívida, pois o banco paga loja e eu pago o banco uma vez a cada 30 dias. Agora você entende por que o instrumento não é tão importante assim?


Por outro lado, o fato das pessoas não conseguirem honrar os seus compromissos, isto é, ficarem inadimplentes, este sim é um sinal de preocupação, cujas matérias deram pouca relevância, diga-se de passagem. É importante mencionar que a pesquisa apontou para um crescimento de 30% no número de pessoas que atrasaram o pagamento de contas de consumo ou de dívidas em setembro. 10,7% do total de devedores afirma não ter condições de pagar contas atrasadas. Isto sim é alarmante!


E um dos motivos pode ser a elevação da taxa de juros, que subiu fortemente ao longo do último ano.


Segundo a pesquisa sobre endividamento do Serasa - interessantíssima por sinal - , em 2021, 64% das pessoas afirmaram que a pandemia impactou totalmente a sua condição financeira, principalmente as mulheres (70%), jovens até 30 anos (67%) e nortistas e nordestinos (68%). Mesmo antes da pandemia, mais de um terço dos respondentes afirmou que já tinha dificuldade para pagar todas as contas.


Outro número bastante relevante é que 41% dos endividados entrevistados receberam auxílio emergencial e o principal uso foi compra de alimentos básicos (48%), seguido pelo pagamento de contas de água, luz e gás (42%) e ajudar nos custos da casa (31%). Apenas 15% conseguiu utilizar para quitar alguma dívida.


O desemprego foi relatado como o principal motivo de endividamento para 30% das pessoas. As mulheres e os jovens foram os que mais apontaram este motivo. Seguido por emprestar o nome (11%) e falta de controle (9%). Pasmem! Considero um avanço as pessoas admitirem a questão da autogestão. Isto significa que há uma mea culpa e reforça a importância da educação financeira. Curiosamente, também foram relatadas "cobrança indevida" e "fraude/golpe" como razões para dívidas.


O Serasa finalmente fez a pergunta de ouro: "o que as pessoas compram com o cartão de crédito?", ou seja, para quê 85,6% das famílias endividadas utilizam o cartão. 69% adquire alimentos em supermercados; 42% compram produtos (roupas, eletrodomésticos, etc); 41% gastam com remédios ou tratamento médicos. Logo, estes são os principais tipos de uso do cartão de crédito, ou seja, com o quê de fato as pessoas se endividam.


É importante sempre ressaltar que, além dos impactos diretos do endividamento (exemplo: inserção do nome no SPC e Serasa, dificuldade de conseguir novos empréstimos e financiamentos e ser visto como mal pagador pelos credores), há os impactos emocionais que devem ser igualmente cuidados.


A pesquisa revela relatos de vergonha por ter uma dívida atrasada (88%), insônia ou dificuldades para dormir (85%) e efeitos sobre a vida social (84%) como as consequências mais recorrentes entre as pessoas endividadas. De acordo com o estudo, as mulheres são mais sensíveis a estes impactos e menos otimistas sobre quitar as próprias dívidas.


Portanto, embora o endividamento seja muito comum entre os brasileiros, ele deve ser entendido com cautela e sentido de solução. Ao comprometer-se com uma dívida, ela implica que o devedor deve se colocar ativamente para resolver as situações em momentos de dificuldade e monitorar as finanças para reduzir os riscos até a sua quitação.


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