Inflação de setembro registra alta de 1,16% no mês puxada pelo aumento na energia elétrica




Segundo o IBGE, a inflação no acumulado em 12 meses alcançou 10,25% ao ano na comparação com setembro de 2020, pressionada principalmente pelo aumento dos preços administrados, sobretudo nos grupos habitação e transportes. Apesar da forte subida, o resultado foi menor do que o esperado para setembro pelo Consensus de 1,25% mensal. Os grupos habitação, transporte e alimentação e bebidas contribuíram com cerca de 86% do resultado do mês.


Quanto às causas, em 2020, houve uma suspensão das atividades econômicas que causou um choque de oferta. Com a retomada da circulação e reabertura dos estabelecimentos, já se esperava alguma pressão sobre os preços, pois o nível de produção não voltaria a crescer na mesma velocidade da demanda, o que por si só já causaria aumento na inflação.


Quanto à energia elétrica, principal fator de aumento no mês (+2,56% m/m), vive-se a maior crise hídrica em 91 anos. E isto afetou a geração de energia via hidrelétricas e foi necessário acionar termoelétricas para suprir a demanda, cujo custo é mais caro. Assim, para segurar o consumo, optou-se por aumentar a tarifa e aplicar uma taxa de escassez hídrica como uma forma de conscientizar o consumidor que encareceu 6,47% a conta de energia. Para exibir o tamanho desse impacto, ela respondeu por 31% do efeito da inflação em setembro. Em 12 meses, a energia elétrica já aumentou 28,82%.


No caso dos combustíveis, com a política de paridade de preços internacionais adotada pela Petrobrás, o preço dos produtos é fortemente influenciado pela taxa de câmbio e pelo preço do petróleo externamente. O preço do gás de botijão, por exemplo, registrou alta de 3,91% no mês de setembro em decorrência do reajuste. Já foram 16 altas consecutivas, acumulando 34,67% de aumento em 12 meses. A gasolina (+2,32% m/m) e o etanol (+3,79% m/m) também registraram incremento nos preços no mês. Estes itens já subiram 39,6% e 64,8%, respectivamente, na comparação com setembro de 2020.


Além disso, o Brasil teve a maior desvalorização de moeda no mundo durante a pandemia (em outubro de 2020, alcançou-se 44,15% de desvalorização na comparação anual), e isto refletiu diretamente no preço dos combustíveis (gasolina, diesel e GLP). Cabe ainda mencionar que a saída de investimentos estrangeiros do Brasil reforça a elevação do nível de riscos. R$ 4,8 bilhões foram retirados da bolsa, provocando pressão altista no dólar, lembrando que eles correspondem a 50,6% dos investidores na B3, portanto, maioria.


Com a proximidade do fim do ano e a crise da pandemia arrefecendo, também percebeu-se o aumento da busca por passagens aéreas, cujos potenciais viajantes se depararam com um aumento de 28,19% só em setembro.


Alimentação e bebidas tiveram uma leve desaceleração em relação a agosto (variação de 1,02% frente a 1,39% no mês anterior) por conta da redução no preço das carnes, após sete meses consecutivos de alta. Atribui-se que o recuo possa estar relacionado à menor demanda chinesa pela commodity, em virtude da ocorrência de casos de vaca louca que provocou a suspensão das exportações..


Em 2022, provavelmente, a subida de preços deverá desacelerar, pois o período das chuvas começará em breve e abastecerá os reservatórios. Isto vai favorecer a oferta de energia de maneira menos custosa (via hidrelétricas), a qual tende a frear o aumento de preços da energia elétrica e, assim, exercer menor pressão sobre a inflação. Com o controle da pandemia, também haverá a normalização da produção, a qual tende a se equilibrar com a demanda que reduzirá a pressão sobre os preços. Para que haja também controle quanto ao preço dos combustíveis, a condução da economia será essencial, a fim de promover a estabilidade política e econômica e controlar a taxa de câmbio em patamar mais baixo.


À inflação, agora se somam os riscos internacionais, ademais dos fatores internos. As pressões sofridas nas economias chinesa e americana tendem a se espalhar e apertar ainda mais os mercados emergentes.


O esforço do FED em ampliar o teto de gastos dos EUA, exibindo o risco fiscal do país, deve pressionar pelo aumento da taxa de juros ao redor do mundo. E com o Brasil não deve ser diferente. Ao elevar a taxa de juros americana, as dívidas em dólares encarecem e têm um efeito multiplicador sobre a economia e deve exercer pressão nos preços por aqui também. E a proximidade com as eleições faz com que os gastos públicos se voltem ao propósito eleitoreiro e a qualidade fiscal seja negligenciada. Há uma conjuntura bastante preocupante para o próximo ano. 2022 não vai ser fácil.


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