Dólar nas alturas: cinco motivos para a desvalorização e como capturar as vantagens


Com a crise econômica e sanitária, o aumento do contágio e da intensificação das medidas de combate ao vírus, os economistas continuam renovando as projeções para 2020 negativamente. O último relatório Focus do Banco Central revela que o consenso de mercado estima desvalorização do real de aproximadamente 24% até o final do ano, o que mostraria arrefecimento na velocidade da deterioração, fechando o período em R$ 5,00 por dólar. Durante o mês de abril, o real acumulou perda de valor de 34,6% no ano, levando o dólar a redefinir sua máxima histórica no patamar de R$ 5,65/USD. Com destaque para a fatídica sexta-feira da saída de Sergio Moro do Ministério da Justiça, quando o câmbio chegou a R$ 5,72/USD ao longo do dia, e o Banco Central Brasileiro ter atuado por oito vezes no controle da sua volatilidade.


Mas não foi só isso. Acredita-se que tanto fatores estruturais quanto choques pontuais contribuíram para a formação deste cenário. Além disso, a economia enfrenta uma séria intolerância às incertezas, manifestada pela evasão de divisas estrangeiras do país, a qual não é exclusividade brasileira, mas compartilhada com os países emergentes. Um fato que também corroborou para a mudança do fluxo de investimentos internacional e para a atração de dólares de volta aos Estados Unidos, foi o diferencial de juros entre Brasil e EUA, este que determinou a faixa entre 0% e 0,25%, enquanto a do Brasil está em 3,75% ao ano (hoje, 04 de maio de 2020), apesar da redução da lacuna ter diminuído consideravelmente nos últimos anos. Ademais, a desvalorização aumenta o passivo externo, isto é, encarece as dívidas contraídas em moeda estrangeira. Com isso, a vazão ganha ainda mais força. Ainda entre os motivos, o comércio exterior responde por uma parcela de culpa na desvalorização da moeda, pois os preços das commodities encontram-se em mínimas históricas e o efeito disto é que menos dólares entram na economia brasileira por uma mesma quantidade de commodity exportada (como soja, carne e etc.).


Assim sendo, diante de tantos motivos que influenciam diretamente na valorização ou desvalorização do dólar em relação ao real e da intensidade da crise atual, a Comissão de Valores Mobiliários realizou uma análise dos principais índices financeiros (renda fixa e variável), que indicou que a diversificação de carteira como um instrumento de gestão de riscos perdeu eficiência. O relatório da CVM apontou para a forte aversão ao risco, com alerta para ameaças macroeconômicas, de liquidez, de crédito e de mercado. Nos emergentes, nós assistimos principalmente a fuga de capital do país, queda na arrecadação e aumento da dívida pública, que pressiona a para a desvalorização da moeda local e para a alta dos juros soberanos nominais.


Portanto, é necessário revisar as estratégias de investimentos e um ponto importante a incluir seria adquirir um percentual de ativos em outras moedas, além da local, como forma de proteger seu portfólio em momentos de incerteza, como hoje. Afortunadamente, ao investidor brasileiro hoje são oferecidas várias alternativas de investimentos internacionais de alta qualidade, como fundos de índice, COEs e fundos multimercados, por exemplo, vinculados à moeda estrangeira.


Por Elinne Val

Economista e Planejadora Financeira


Fontes:

https://conteudos.xpi.com.br/acoes/analises-fundamentalistas/relatorios/panorama-de-mercado-xp-bolsa-mudancas-na-carteira-recomendada-ibovespa/?utm_campaign=Panorama+Maio+-+PORT&utm_content=Panorama+de+Mercado+XP%3A+Bolsa+em+maio+%E2%80%93+O+que+voc%C3%AA+precisa+saber+para+investir+-+An%C3%A1lises+e+Recomenda%C3%A7%C3%B5es+-+XP+Investimentos+%282%29&utm_medium=email&utm_source=EmailMarketing&utm_term=Panorama+Maio+-+PORT

https://www.cnnbrasil.com.br/business/2020/04/28/o-dolar-nao-para-de-subir-em-2020-e-hora-de-comprar-a-moeda-americana

http://www.cvm.gov.br/export/sites/cvm/publicacao/boletimrisco/anexos/BoletimdeRisco_78_202004.pdf

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